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Educação e simpatia brasileiras

     Há poucos dias foi divulgada uma pesquisa do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, sobre o transporte público em São Paulo e o grau de satisfação por parte de seus usuários. Claro que a insatisfação é geral, em todos os sentidos: velocidade dos trens e intervalo entre os mesmos, número altíssimo de passageiros por metro quadrado, desconforto, limpeza etc.
     Mas, o pior é a falta de educação generalizada do público que utiliza ônibus e trens, metropolitanos ou Metrô, principalmente dentre o público masculino. As mulheres estão chocadas, em todas as camadas da população: quem caminha, quem utiliza transporte público e até quem dirige o próprio veículo. Nunca neste país se maltratou tanto as mulheres, jovens ou senhoras. Em lojas, estacionamentos, serviços públicos, nos tratam mal. 
     Até a mídia divulgou a insatisfação do público feminino em entrevistas de usuárias de transporte público, queixando-se das grosserias masculinas e as imagens mostraram o momento da parada do trem na estação: uma "manada" de homens entrando alucinados nos trens para poder garantir um lugar sentados, mesmo que para isso tenham que quebrar o braço de um ou pisotear outro, casos contados na reportagem. Como disse a repórter do jornal matutino, "é a lei do mais forte". 
     Ninguém mais é senhora, no máximo nos apontam com um "aquela mulher". Nas portarias dos edifícios então, a situação piora. "Por favor, vou ao 507." "Seu nome!" num tom meio bravo, muitas vezes com a maior má vontade. Ao interfone, "a fulana está aqui". Nada de "há aqui uma senhora que deseja subir; a senhora tal". 
     Nos edifícios comerciais, os quais freqüento constante e diariamente, nos tratam como se fosse um favor do (a) recepcionista (a) nos deixar subir. Vou ao 10o. andar, por favor. "Documento!" "Olhe para a câmera". Nada de "por favor, me empreste seu documento". Nunca fui parada por um policial na rua, mas a sensação deve ser a mesma. 
     Nem todos os homens são assim, claro. Nossos amigos nos tratam bem. Nossos familiares nos tratam bem. Mas, nas ruas, fora de casa, as grosserias são constantes. Mas, ainda há pessoas civilizadas.
     Outro dia fui a um evento num Templo Budista e quando chegava ao portão vi vários seguranças e ao entrar ouvi um "bom dia, senhora, seja bem-vinda!" tão espontâneo, tão gentil, que levei um susto! De todos os três ou quatro seguranças e conforme ia entrando ia ouvindo mais bom dias, mais seja bem-vinda, como se eu estivesse num sonho.
     Escolhi este tema, o da educação na ruas pois ser civilizado não é ser simpático e sim ser educado. No Brasil achamos que ser simpáticos é suficiente, mas de tanto sermos só simpáticos, acabamos sendo um povo muito  mal educado, que urina nas ruas, fala alto na porta alheia durante a madrugada e tenta passar por cima de idosos ao caminhar nas ruas, pois vale mais sua pressa que sua educação.
     Por essas e por outras, lanço aqui uma campanha chamada "Reeduque um adulto conhecido". Mas, aviso, tenha certeza de estar psicologicamente segura ao tentar isso, para não ser chamada de perua, velha, bagulho e todos os adjetivos que uma boa quantidade de brasileiros utiliza para se referir a alguma mulher.
     Algumas equações de primeiro grau para ajudar na empreitada:

     Educação + civilidade = simpatia (ótimo)
     Educação + civilidade = polidez (ótimo)
     Educação + civilidade = secura (serve)
     Falta de educação + simpatia = falta de educação (não serve)
 Falta de educação + grosseria = selvageria e falta de civilidade (inaceitável).

     Em tempo: Homens, não precisam jogar seus casacos na poça d'água, por favor. Isso está fora de moda. Pequenas gentilezas não custam nada e as mulheres agradecem.

Tchau! Até breve! MEPR

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